domingo, 21 de janeiro de 2018

Duplo Molière, por Roberto Muniz Dias

Duplo Molière é de uma tecitura textual que resgata um rebuscamento palavroso do teatro de apurada elocução. E por isso, pensei se tratar de um espetáculo que não se pode fruir pela questão da escolha por uma pessoa verbal tão estilosa. Mas não há que se subestimar o público.Em Duplo Moliere a arte se sobressai; a peca é rimada, quase um cordel satírico. E este é o tom de Duplo Moliére, uma metadramaturgia que flerta com o cômico, revelando nuances do dramaturgo Jean Baptiste Poquelin, que viveu na França e que usava sua dramaturgia para criticar satiricamente os costumes e pessoas da sua época.
A peça costura elementos biográficos e da própria escolha crítica dos tipos socias daquela sociedade, mas que se aplica, naturalmente, às nossas figuras sociais atuais.
E o figurino? Que luxo! Uma recriação de época bem colorida e lúdica, beirando o exagero kisth e que dá um charme ao trabalho do atores.
Arimatan Martins alinhava bem sua dramaturgia, fazendo uma crítica algumas situações de nossa sociedade local e brasileira. O jogo cênico é dinâmico e os recursos cênicos são cheios de detalhes.
Duplo Molière é um teatro biscoito fino, feito com cuidado e estrelado pelos atores do grupo Harém de Teatro - detalhe para o Luis XIV solar de Francisco de Castro e o Arcebisto afetado e bafônico de Fernando Freitas -, que dão vida a um espetáculo cômico, colorido e satírico.
Viva a Molière, Viva ao Harém!

Postado no Facebook em 21/01/2018. 

Fotos de Roberto Muniz Dias













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Duplo Molière, por Roberto Muniz Dias

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